mardi 12 février 2008

Minha poesia se foi

É verdade, minha poesia se foi.
As palavras saem com pressa de existir, tão somente porque já existem e tem sentido, tão naturalmente como uma criança que já sente a vida, mesmo ainda resguardada pelo ventre da mãe, mas ainda assim quer conhecer o mundo lá fora.
E não com esmero de ser criada por belas idealizações, por necessidades artísticas, para atender a um fim, e só assim ganhar significado.
Minha poesia se foi, mas ficou uma melodia que ouço, e me embala os passos, os atos, os sorrisos.
E tu, tu és como todas as notas daquela melodia, que se perde apenas nos ouvidos dos amantes.
Quando ela toca, é apenas ela que se consegue ouvir.
Seus mais de vinte minutos, são todos sentidos pelo uníssono de batimentos do coração.
Ouço tua música enquanto durmo, vejo teus sonhos no escuro.
Sopro-te cores brilhantes aos olhos, e alguma coisa canto-te ao ouvido.
Se pensar em ti for o bastante, serei feliz se sonhares comigo.
As palavras que não dizes, e que não digo são talvez as mais belas que poderiam existir, pois todas elas, tecem um invólucro no meu coração - que bate, que se inflama, para, e volta a bater.
Porque o silêncio não mente.
Minha poesia se foi, porque minhas palavras se foram.
Porque tu és as palavras que eu desejo ouvir, e as que eu desejaria dizer.
Sou privada de minha arte, mas assim sou tão feliz.
Porque vou me aborrecer de não conseguir pintar um quadro com flores? contigo me sinto capaz de semear todas as flores de um jardim.