jeudi 26 juillet 2007

Comfortably Numb

Desmaio sobre a grama verde, do parque onde alimentei os passáros com meus nervos.
Lá perdi também minhas emoções, sou o sub-produto de uma existência semi-vazia.
Não ouço nenhum grito de criança. Rogo para não ouvir nenhum.
Minha cabeça permanece como um pêndulo sobre meu corpo que sente-se acorrentado ao chão.
Cada fio de fina grama, tece correntes que se enroscam em meus braços, e isso me impossibilitaria de voar - mas eu não iria tentar mesmo.
Seguro firme a rosa depositada em minha mão direita.
A mais vermelha das rosas, torna-se pouco a pouco branca em minhas mãos rudes.
Sinto cada gota gelada de seu sangue, molhar minhas mãos.
E fico embevecida. Eu a fiz sangrar apenas para me sentir segura.
Ela era o único elemento real entre eu e o chão.
Eu a fiz sangrar por mim.
E nunca me perdoarei por isto - embora isto não tenha tanta importância.
Seguro com força a minha rosa, e não consigo mais ver quanto estrago causei.
Mas não poderei soltá-la ainda.
Pois o mundo ainda tenta me puxar um pouco mais pra baixo.
Ergo os olhos para o céu, como que atravessando uma passagem para um novo mundo, que contém algo além de apenas eu e minha dor.
O céu brilha como um enorme diamante azul, imperdoavelmente sem nenhuma nuvem.
É como as primeiras pinceladas de uma tela, tão mais bonita por não ter nenhum compromisso de ser nada ainda, senão apenas ser.
Apenas azul, apenas tela. Límpida e simples.
Como esse dia que eu deveria amar, mas não posso.
Ele me tornou tão estática no sentir dos meus medos.
Medos esses que não tento enfrentar.
Não me sinto fraca agora - embora deveria - mas é questão de horas.
O martelo bate algumas vezes antes de conseguir quebrar.
Meu vazio interior se reflete como feixes de luz clara, e vejo-o com um incompreensível sentimento de adoração.
Quase apocalíptica.
Quase inteiramente eu.