Abro a porta, levanto, recolho meus sapatos.
Olho rapidamente para trás, teu rosto inexpressivo, deixo os cadarços.
Do amor, só o rastro.
Ando na rua, em direção oposta a do mar - onde gostaria de estar.
Atordoadamente expulso pensamentos de navalha, eles vão embora mas deixam as feridas.
Encontro outros olhos, que nunca encontrei na vida.
Talvez uma razão, uma saída.
Mas só consegue guiar-se por outros olhos aqueles que já perderam os seus.
Ainda não estou tão perdida assim.
As palavras ecoam na minha mente, e formam teias que envolvem meu coração.
Volto a amar a ti ilustre desconhecido, e não àquele pra quem deixei minhas marcas.
Aquele que ouviu meus gritos, e me fez gritar tanto outros, me abraçou para fazer do seu corpo um remédio para minha solitude.
Aquele a quem deixei meu perfume envolver-se em suas narinas, aprisionando os pensamentos, dizendo coisas que não deveriam ser ditas.
Dou todas as pistas para que me conheçam, para quando já tiverem pensando compreender eu faça tudo diferente.
Perco o sinal.
- Alô, alô, alguém pode me escutar?
estou orgulhosamente perdida.
E tudo aqui é vida, tudo aqui brilha.
No entanto os grilhões não cessam de se arrastar no chão frio e imperfeito, me ensurdecendo.
As almas não cessam de me procurar - eu canso de me esconder.
Tento segurar tua mão, não sinto ela segurar, nem se soltar.
Sinto por tudo que tenho de sentir, que não sei explicar.
Como um barco solto no mar.
Os ventos não cessam de sussurar, palavras que tento decifrar.
mardi 27 novembre 2007
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